QUERIA UM PINCEL, GANHEI UMA VASSOURA

pintura sobre vassoura, 2018

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Corpos periféricos estão representados ao longo de toda história ocidental da arte em posições de submissão. Nas grandes instituições isto se reflete nos agentes e funcionários, onde negros e moradores de lugares marginalizados são responsáveis muito mais por funções de limpeza e manutenção do que no protagonismo de criação.

 

Ao visitar esses espaços buscando representatividade e identificação, nosso olhar encontra referências em corpos que não estão nos holofotes.

 

A pintura e escultura, por exemplo, categorias consagradas por toda a história da arte há séculos são vista como trabalhos manuais, a habilidade e sutileza das mãos que controlam o pincel e a goiva sempre foram muito valorizadas e, muitas vezes, ergueram os artistas a outro patamar. Entretanto, essas mãos sempre foram brancas.

 

Na cultura popular, as ferramentas associadas a mãos negras são as de servidão e a vassoura aparece como um dos principais símbolos disso.

 

O título ‘Queria um pincel, ganhei uma vassoura’ surge da busca de indivíduos de origens periféricas de ter voz e espaço. Já que as oportunidades são poucas, buscar alternativas e, principalmente, resistência.

Por isso, a vassoura que chega em nossas mãos, se torna um tridente, uma arma pela resistência, uma potência que marca posição e abre caminhos.

Porque transformar a falta de oportunidade em força tá no sangue da gente.

pedi um pincel, me deram uma vassoura.pn
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